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Olá Amigos!!Bem vindos ao meu blog! Obrigado pela visita. Como artista plástico, músico e amante da cultura, tenho um enorme prazer de compartilhar com vocês, a incrível história de Almofala e sua igreja bicentenária, que por 45 anos ficou soterrada por uma enorme duna. Uma história cheia lendas, mistérios e curiosidades. Confiram!
Ah! Espero também que apreciem minhas humildes obras desenhadas a mão que ilustram esse blog.
"Investir na cultura é evitar no futuro, danos à sociedade" . Alexandre Mulato
Itarema deriva-se da lingua Tupi e significa literalmente "Pedra Cheirosa". ITA ( Pedra) - REMA ( Cheiro). O municipio ganhou essa denominação devido a uma pedra localizada na costa, próximo à Praia do Farol do Itapajé, que na época de maré baixa ela emerge e que, segundo os pescadores, exala um cheiro agradável. Corre também o boato que segundo a lenda, é nesta mesma pedra que em noites de lua cheia uma sereia sobe e penteia seus longos cabelos. Ao sair da pedra, o lindo vulto deixa um perfumado aroma. Legal né?!!
Itarema é uma cidade rica em cultura. Logo sua origem está enraizada em três etnias: o branco (espanhóis e portugueses), o negro (africano) e o índio (Tremembé), ambos deixando na cidade além de seus saberes, um colorido muito especial.
Se você quizer conhecer os encantos de Itarema, sua história e suas lindas praias, então quando puder, venha nos visitar. localiza-se no Litoral Oeste, a 220 Km de Fortaleza. Falou? Um abraço!!
ISTO ERA ALMOFALA
“Perdida no areial imenso uma capela branca de torres erguidas. Capelinha poética de semblante ridente. A alva areia fulgurando ao sol faz realçar mais ainda a igrejinha de neve, risonha e altaneira. As brancas torres esguias apontando o azul puríssimo do céu. Muito próximo o velho mar. O velho mar que em tristes vozes profundas rola as ondas espumantes, entoando as nênias queixosas e os graves salmos de suas perpétuas litanias. E pela nave deserta do templo de Deus reboa misteriosamente os cantos quais De Profundis e Laudamus de estranhas liturgias. A fina espuma rendilhada das ondas que se quebram na praia se esgarça pelo ar num incenso leve em torno da graciosa igrejinha. Cercam coqueiros farfalhantes e cujas frondes enfeitam os pássaros multicores. E cada copa é como um cantinho de palco numa noite de ópera de suntuosa festa de arte. Gorjeios, chilros, módulos, trinados, pipilos. Uma orgia de sons deliciosos. Retalhos de óperas de Schubert, Wagner, Chopin, Bach, Beethoven. Prelúdios maravilhosos de árias incomparáveis. Baladas, fugas, sonatas. E, como mala de virgens em procissão, duas filas de casinhas brancas, ladeando a igrejinha alvacenta e alongando-se pelo areial adentro... Isto era Almofala” Dinorá Tomás Ramos
Escrito por alemulato às 15h29
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O GUAJARA
Não se assuste com essa figura... Não é Moisés, nem Antônio Conselheiro, nem tão pouco o Papai Noel, trata-se do Guajara ou Pai do Mangue, uma lenda viva em Itarema que habita nos mangues de Almofala. O Guajará é uma espécie de fantasma travesso, aparece sempre rapidamente; ou mesmo nem aparece; apenas uma sombra. Aliás, dizem que ainda aparece. Segundo os pescadores se alguém sair para pescar no mangue e de repente ouvir barulhos estranhos, assobios, cantigas, som de machado cortando o mangue, bolas de fogo, etc., pode voltar que nesse dia não se pesca absolutamente nada e, se por acaso, alguém desobedecer as regras, além de não pescar nada o indivíduo volta pra casa com febre, cansado e com dores por todo o corpo, com se fosse açoitado pelos galhos de mangue que o Guajara carrega na mão. Para fazer boas pescarias e não ser atormentado pelo Guajará, é bom sempre levar um pouco de fumo e colocar nas raízes do mangue. Para alguns, o Guajará apresenta certa semelhança com o Saci e com o Caipora, duendes dos matos, apreciando-se, sobretudo, o espírito travesso, buliçoso, às vezes malévolo, com atitudes de assombramento. Para outros, como seu José de Fátima diretor do Museu de Itarema e guardião da memória, o Pai do Mangue (Guajará) se mostra como um velho de cabelos e barbas longas vestido com roupas velhas e rasgadas, pés descalços e com um cachimbo na mão. Há muito tempo atrás em Almofala, uma velha índia Tremembé chamada Tia Chica relatou o seguinte, “O Guajará mora nos mangues... uma vez eu estava pilando milho, quando senti a mão-de-pilão pesar na minha mão. Ai eu olhei pra fora e vi a sombra de um grande pássaro, me vi aperreada e gritei pela minha neta. Eu juro que aquele pássaro era o Guajará, em uma de suas costumeiras traquinagens”.
Alexandre Mulato
 Como é natural, diversos poetas têm escrito poemas sobre Almofala e sua lendária igrejinha. O inspirado bardo acarauense, Francisco José Ferreira Gomes, em seu apreciado livro "Menino da Barra", dedicou-lhe esta linda poesia: "Perdida nas areias brancas da praias do Atlântico norte dorme Almofala dos Tremembé". "Dorme com seu Templo branco e barroco que as areias alvas da cor de suas paredes bisseculares sepultaram por quarenta e poucos anos". "Dorme, Almofala dos Tremembé, com a tua Padroeira vindas das terras do Reino no ano de mil setecentos e doze". "Dorme, Almofala dos Tremembé, ponto inicial de civilização da Ribeira do meu Acaraú".
Do professor poeta José Alcides Pinto, "ser fantástico e total que cura a nossa febre com as palavras sagradas do poema", são essas primorosas quadras: "E para que o nativo tivesse pouso certo, foi construída uma igreja no litoral deserto". "Sobre a margem esquerda do Aracati-mirim próximo ao mar que cerca e se acaba sem fim". "Do rio tomou o nome qual foi plantado ao pé essa missão reduto do índio Tremembé". "Que logo se chamou povoação de Almofala com o destino de ser lendária e legendária". "A princípio a capela de palha era coberta com esteios de barro e de taipa completa". "Pouco tempo depois, segundo a tradição, foi levantada uma igreja muito acima do chão". "Certamente o mais belo templo do Ceará desde o século 18 outro assim não terá".
De outro docente-poeta, o professor José Silva Novo, são estes bonitos louvores rimados: " Ó Almofala de meus ancestrais Ermas, perdidas no areial das praias, Como é solene o canto das sereias, Como é gostoso o canto das jandaias" "A tua igrejinha em pedra tosca É uma relíquia tão bem encravada Que as dunas caminhantes a cobriram, Mas depois a deixaram aí chantada" "Mas muito bem chantada a beira mar, Olhando o mar azul esverdeado Com saudades dos tempos que se aforam, Com cheirinho cheiroso do passado".
Escrito por alemulato às 15h28
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O MAR - A PRAIA - OS COQUEIROS
Em perto é o oceano majestoso e murmurante. São os "verdes mares bravios de minha terra natal" - imensurável campo de labutas do pescador afoito e confiante, pontilhado de velas enfunadas e brancas, semelhantes a enormes gaivotas, em vôos rasantes sobre a esteira verde das águas buliçosas. As ondas, às vezes se levantam, em vagalhões gigantescos, uivando e branindo, como feras na ânsia de sair da jaula pra a liberdade; outras vezes quase serenas rendilhadas de espuma luzidia, lembram sereias colossais, vestidas de maiôs de alvíssima cambraia, que vem se deitar na areia movediça daquela praia vasta, pitoresca e fascinante. Aqui e acolá destaca-se no solo arenoso o alvacento perfil das dunas, de onde, aos constantes embates do vento que sopra do mar, se desprende uma areia fina que, em aluviões, sobe pelo espaço, e, geralmente, ruma para o ocidente, sem distanciar-se da orla marítima. E um pouquinho além salienta-se a riqueza agrícola que produz aquele solo permeável e fecundo. È a prodigiosa exuberância vegetal que se manifesta nas plantas frutíferas ali cultivadas por um povo de agricultores pacatos e amigos do trabalho; um povo que sabe fazer de sua profissão a verdadeira razão de ser de sua existência. E sabe tirar da terra o que a terra tema para dar. Dominando os outros espécimes da flora agrícola, elevam-se dezenas de milhares de coqueiros, na pujança de seu caule perenemente erguido para o céu, com suas palmas viridentes, sacudidas pelos alísios lembrando novos Briaréus, agitando no ar os braços cor de esmeralda "Coqueiros prestáveis, Garçons gigantescos, Com os ombros vergados de frutos, Oferecendo refrescos", tal como disse o ilustrado sacerdote-poeta, Padre Osvaldo Chaves. Os canaviais se ostentam pelos sítios, com seus pendões lourejantes, emprestando um novo colorido à paisagem e enriquecendo, ainda mais, aquelas paragens privilegiadas. E, estendendo sobre o chão dadivoso um vasto tapete verde, feijoeiros, melancieiras, batateiras e outros, como que a completam a opulência e a beleza da lavoura naquela praia tão rica e tão encantadora. Para o encanto maior daquelas bonitas paragens, revoadas de passarinhos enfeitam o ambiente, pousando nas árvores ou cruzando o espaço imensamente azul, numa festa de cores e gorjeios. A CAPELINHA DE 1702A tradicional igreja de Almofala, segundo "Cronologia Sobralense", começou a ser construída em 1702, ano em que o padre José Borges de Novais veio ao Ceará Grande, como primeiro missionário dos índios Tremembé. A capela foi construída em honra de Nossa Sra da Conceição, nascendo aí a povoação de Almofala e Missão do Aracati-mirim. O operoso sacerdote prosseguiu em seu trabalho de evangelização, mas somente dez anos depois, a 19 de outubro de 1712, procedeu ele a bênção e a inauguração do humilde templo, o qual consoante assevera a tradição, era feita de taipa e coberta de palha, de coqueiro, provavelmente. Pelo menos foi essa data - XIX-X-XII - que o saudoso sacerdote poeta acarauense, Padre Antônio Tomás, em 1892, viu uma inscrição gravada na pedra de uma das portadas internas, perfeitamente visível. RECONSTRUÇÃO DA CAPELAPresumivelmente, nove lustros mais tarde foi essa igrejinha reconstruída de alvenaria. Entretanto, parece que o arquiteto que a reedificando gravou na portada mencionada pelo Pe. Antônio Tomás, não a data do término dessa reconstrução, mas o dia inaugural da primitiva capelinha de taipa do Pe. Novais. O Arguto e paciente historiador Antônio Bezerra, que ali esteve em 1884, assim se expressa sobre o formoso templo setentista: " No meio do espaço compreendido entre as duas ruas, do lado leste, fica a igrejinha, um mimo de arquitetura, que a Rainha de Portugal, D. Maria I, mandou edificar, para os Índios Tremembé. É diferente de todas que se encontram na Província, no gosto e na construção. Quem a visita não pode deixar de reconhecer em tudo o cunho das obras dos Jesuítas; sua perspectiva lembra os velhos templos de Portugal”. O desembargador Álvaro de Alencar, renomado historiador cearense confirmando Antônio Bezerra, alude à Almofala e sua igreja da seguinte maneira: “Ao lado fica a igrejinha, bela arquitetura que a Rainha D. Maria I, de Portugal, mandou edificar para os índios Tremembé. É diferente de todas as outras do Ceará”. Todavia, não obstante essas afirmativas de que a linda capela de Nossa Sra. da Conceição de Almofala foi construída por determinação de D. Maria I, de Portugal, o Pe Antônio Tomás, autor de um substancioso e aprimorado estudo sobre aquela povoação e sua vetusta igrejinha, “inclina-se a aceitar a tradição legada por alguns velhos moradores do povoado, aos seus descendentes, de haver sido ela construída a expensas da irmandade de N. S. da Conceição, anteriormente ali ereta sob os auspícios dos padres que então dirigiram aquela missão”.
O poeta José Alcides Pinto corrobora: “Mas se sabe contudo, Que seu material Veio da Bahia Por via naval.
E que aqui chegando Seguia depois Para o lugar da obra em carros-de-bois”.
Costa que o forro da capela, bem como o piso da nave central eram de cedro, vindo igualmente da Bahia.entre esses matérias figuram as telhas de 80 cm de comprimento, que se quebraram quase todas, quando o teto desmoronou, e os tijolos que ainda lá estão, pesando 8 a 9 quilos cada um. Tomando-se por base a informação dom saudoso historiador cearense, de que os matérias empregados na edificação da igrejinha, foram transportados nos barcos que aqui vinham carregados de carne-seca, a mesma deve ter sido levantada na segunda metade do séc XVII, porque as indústrias das charqueadas, no município de Acaraú, teve inicio em 1745, e durou exatamente meia centúria, uma vez que foi extinta quando veio a chamada seca-grande – 1790-1793 – talvez a mais terrível calamidade climatérica que atingiu o Ceará, em todos os tempos. Aludida seca dizimou os rebanhos, destruiu a lavoura, matou muita gente de fome, abalou profundamente a economia cearense e acabou consequentemente, a indústria da carne-seca.
Escrito por alemulato às 15h26
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A DUNA INVASORA Todavia, 1897, a leste da capela, uma duna de enormes proporções começou a ser desmontada, pelos ventos marinhos, arremessando, de mansinho, para as casa vizinhas, uma areia fina que penetrava incessantemente, pelo teto, pelas frinchas das portas, por toda parte. Em principio do ano de 1898, quando Pe Antônio Tomás, então Vigário da Paróquia de Acaraú, foi visitar aquela igrejinha, como bimestralmente o fazia, o morro em referencia já tinha invadido algumas residências, e aproximava-se do templo. O zeloso sacerdote apressou-se, então, em dar conhecimento do fato a Dom Joaquim José Vieira, então Bispo da Diocese do Ceará, adiantando que a integridade do prédio sagrado estava em sério perigo, e o problema se apresentava sem solução possível. Na verdade, será sempre um ato de quase loucura o homem tentar impedir a ação da força cega dos elementos.
A CAPELA SOTERRADAEfetivamente, a natureza prosseguiu em sua sinistra empreitada; aos açoites do alísio vigoroso, persistente, inexorável, aluviões de areia salina, dia e noite, iam caindo sobre a capela e sobre o povoado, com força de catástrofe, com aparato de fatalidade, lançando a tristeza, o assombro e o desalento sobre a comunidade indefesa. E aquele pugilo de cristãos humildes e bons, acompanhou, desolado e compungido, a agonia de sua querida capela que, pouco a pouco, ia submergindo naquele oceano de areia tangida ao impulso implacável dos ventos marinhos. O povo estava realmente assombrado, porque aquilo era, de fato, uma calamidade abracadabrante, pavorosa e humanamente inevitável. E dentro de pouco tempo, várias casas haviam sido soterradas; e da artística igrejinha restava de fora apenas “a cruz de ferro da torre sineira, como espetada no cocuruto da duna vencedora”, disse Gustavo Barroso. E como que pedindo aos céus a exumação de templo sagrado, dizemos nós. O culto e exímio poeta acarauense Rodrigues de Andrade, que visitou Almofala naquela época, publicou no “Jornal do Ceará”, em 190, estes magníficos sonetos: I
“Em frente a igreja de antiquado estilo, Mas de elegante e sólida fachada, Os casebres se alinham de um pugilo De Tremembé e gente mestiçada.
Esgalha em torno a víride ramada Do cajueiral, farto e seguro asilo Das aves quando a ventania irada No coqueiral desfere alto sibilo.
Perto um regato murmuro colêa, Longe um lençol de movediça areia Que o mar sacode, caminhando vem.
Ali, na sombra da ramagem fresca, Vive esta gente aos reditos da pesca, Feliz no Samba e às areias do Torém”. II
“Soluça o mar embravecido perto, Jogando a areia que raivoso arranca Do rio, o mar tão calmo outrora; certo Algum pesar o coração lhe tranca.
E o vento insufla tanto a areia branca, Que hoje esta praia é um inóspito deserto Onde o viajante nem a sede estanca; Agora tudo desse areial coberto.
Somente a aldeia, o coqueiral, a igreja, (e há quem no fato algum milagre veja) Pois tudo acaba, mas a igreja não; Que a duna passa, o vento escava a ogiva E a torre exsurge para os céus altiva, Como estranho sinal de exclamação”.
A vida para aquela desventurada gente foi decorrendo, então, entre a angústia e a desesperança. O futuro se lhe apresentava escuro e funesto. Mas, apesar daquela deplorável situação, ao que nos consta, nenhuma família dali se retirou definitivamente. Aqueles que fugiram “para longínquas paragens, a cata de novos abrigos”, vez por outra ali voltavam, trazidos pela saudade, para rever o querido local onde acontecera a mais estranha tragédia geológica de que há memória nos anais da terra brasileira. O amor do povo almofalense ao seu torrão nativo foi mais forte do que a incerteza daquele aziago porvir.
Escrito por alemulato às 15h23
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O MILAGRE 45 ANOS DEPOIS  Entretanto em 1941, a duna começou a ser retirada do povoado e da vetusta capela, em rumo do Oeste. Tão sorrateira e insistente como viera, a areia fina e salgada ia deixando a localidade onde permanecera por mais de quatro decênios, ao sopro constante das correntes eólicas. Havia muita gente que rezava alto, chorando de alegria, ao ver a areia subir, em rodopios, tomando novos rumos, ao sabor do vento. E, como por prodígio do céu, decorridos 45 anos, isto é, no ano da graça de 1943, o grande morro arenoso dali havia se mudado, impelido pelo mesmo vento que o trouxera, obedecendo a “ lei misteriosa e caprichosa que rege a marcha das areias no litoral cearense”. A histórica igrejinha ali estava, firme e bela, porque sua sólida estrutura resistira admiravelmente á ação do tempo e ao peso da areia praieira que a sepultura durante nove lustros. Apenas o que era de madeira se tinha estragado e o que era de ferro havia sido comido pela ferrugem. O velho sino de bronze, depois de quase meio século de silêncio forçado, voltou a fazer ouvir sua voz solene e grave, chamando os fiéis para as cerimônias do culto cristão. Ao mesmo tempo as casas que tinham sido soterradas começavam a ser restauradas. OS TREMEMBÉExtremando com os Anacés, para além do rio Mundaú, viviam os Tremembé, gentios que muito se distinguiram também por suas ações hostis aos brancos. Povo nômade em perpetuo deslocamento, o território que senhoreavam ia até às margens do Parnaíba, segundo uns, ou até a foz do Iguaçu , segundo outros. Em profundidade, suas terras, abrangendo a vasta ribeira do Acaraú, chegavam à Serra Grande. Como variante desse topônimo, surgem as formas Teremembé, Taramembé, Tramaambé, etc. Aldeados em fins do século XVII, pelos Jesuítas, perto de Camocim (Theberge) e nas praias Lençóis, Tutóia do Gentio,passaram, em 1702, para as margens do Aracati-mirim, no município de Acaraú. Foi, aí, seu primeiro missionário o Pe Borges de Novais, que, tendo iniciado os trabalhos apostólicos em 1702, faleceu a 2 de dezembro de 1721. Como sucedera por toda a parte, e em igual circunstancia, os recém chegados não se adaptaram bem ao novo meio, fugindo uns para os Tabuleiros do Litoral e desertando outros para a vizinha Capitania do Maranhão. Sobre índole turbulenta desses índios, que viviam de preferência à beira do mar, que era “a mais poderosa tribo do Ceará, que punha em perigo os próprios navios que ali passavam de Portugal para o Maranhão”, segundo o biologista acarauense, José Jarbas Studart Gurgel. “Os Tremembé era hábeis nadadores; arremetiam a nado os tubarões, e com um pau agudo que lhes encaixavam na goela adentro, os traziam a terra e tiravam deles os dentes para flechas”. Paulino Nogueira, historiador. “Eram esse índios exímios pescadores marinhos e de robusta constituição, perlongando em toscas jangadas as praias, sem delas nunca se afastarem; e que eram realmente temíveis”. Pompeu Sobrinho “Valentes, corpulentos e temíveis, que não se deixavam domar facilmente”. Raimundo Girão, escritor. É certo também que esses bugres nutriam manifesta aversão aos luso-brasileiros. Tanto isto é verdade, que o Forte de Nossa Senhora do Rosário, construído por Jerônimo de Albuquerque, em 1613, na enseada de Jericoacoara, para possibilitar ou facilitar a conquista do Maranhão, foi, mais de uma vez, atacado por esses gentios brigões. E em denuncia formulada a El- Rei de Portugal, em carta datada de abril de 1663, Ruy Vaz de Siqueira informou que um barco português se dirigia a Camocim, para abastecer-se de água, e os Tremembé apoderaram-se dele e mataram toda a sua tripulação. SUAS ARMASCom alusão às armas usadas por esses índios, afora o arco, a flecha, a clava, etc., eles empregavam também o machado-âncora. “Os Tremembé tinham o hábito de, no primeiro dia do novilúnio, todos os meses, ficarem vigies a noite toda fazendo estes machados, não cessando enquanto não estivessem perfeitos. Alimentavam a superstição de que, levando tais machados à guerra, não seriam vencidos, antes arrebatariam aos inimigos a vitória. Enquanto faziam esses machados, as mulheres, moças e crianças ficavam de fora dos oiupoés, dançando e cantando sob a égide do crescente”. Osvaldo de Oliveira Riedel UNIÃO DOS ÍNDIOSReferindo-se à união e à solidariedade dos indígenas dentro de suas tribos, assegura a escritora Lúcia Magalhães, que “nenhuma coisa própria tem que não seja comum, e o que tem há de partir com os outros, principalmente se são coisas de comer, das quais nenhuma guardam para o outro dia; nem cuida de entesourar riqueza”. Igualmente, segundo reza a tradição oral, os Tremembé de Almofala, não obstante sua inclinação hereditária para a desordem e pra o motim, mantinham uma boa convivência no selo da maloca; reinava ali um autentico exemplo de unidade fraterna. Terra, taba ou outros bens quaisquer pertenciam a todos em comum. “Esta idéia está clara e viva na alma do índio e ele compreende a propriedade comum como coisas inteiriça da qual porção alguma pode pertencer a um indivíduo só”. Von Martius Profundamente religiosos, os Tremembé ajudavam sempre, com manifesta boa vontade, nos preparativos da festa anual de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira da Legendária capelinha.
ODE AOS TREMEMBÉ
“Os Tremembé, meus índios misteriosos. Das plagas de Almofala orgulhosos, Onde dançavam mágico o Torém. Meus Tremembé da terra acarauense, De vós se orgulha o povo cearense Pois mais que vós pujança ninguém tem.” “A igreja que deixastes está intacta Naquela aldeiazinha tão pacata Onde a saudade apenas ali medra... As montanhas de areia a perseguiram, Mas mesmo assim jamais a destruíram, Pois a fizestes linda, tosca em pedra.” “A herança cultural da vossa raça Ainda hoje na Almofala traça Vestígios do folclore verdadeiro, E nós pesquisadores lá corremos E sempre moradia por lá temos Daquele povo bom e hospitaleiro.” Silva Novo
Escrito por alemulato às 15h20
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LENDASComo é sabido, a escultura da Virgem Aparecida, Padroeira do Brasil, que em 1717 foi encontrada por três pescadores, nas águas do Rio Paraíba, em São Paulo, é feita de cerâmica, de cor castanho escuro, e mede 39 cm. Pois bem: uma das lendas que existia entre os Tremembé, e que seus descendentes ainda acreditam, é que uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Almofala, também foi encontrada na praia, por índios daquela tribo, que estavam pescando, e que ficaram maravilhados. Um deles guardou a pequena escultura em sua oca, com cuidado e veneração. No dia seguinte, porem, a santinha havia desaparecido. E depois de um dia de buscas, foram encontrá-la, de pé, na areia de Almofala, a meio quilômetro do mar. Nunca se soube quem ali a pusera. Os índios viram na estranha ocorrência uma intervenção do Além; fizeram ali mesmo uma palhoça sobre a pequena imagem que passaram a venerar. E quando o Pe. José Borges de Novais, auxiliado pelos mesmos indígenas, construiu, de taipa, a primeira capelinha, o fez no mesmo local onde a imagem fora achada, exatamente onde hoje se ergue o vetusto e pitoresco templo consagrado à Nossa Senhora da Conceição de Almofala, e tão frequentemente visitado por gente de perto e gente de longe. O GUAJARÁ
Uma das principais lendas daqueles gentios era a do Guajará, uma espécie de fantasma travesso. Aparecia sempre inopinadamente; ou mesmo nem aparecia; era apenas uma sombra. Aliás, dizem que ainda aparece.
“O Guajará de Almofala apresenta certa semelhança com o Saci e com o Caipora, duendes dos matos, apreciando-se, sobretudo, o espírito travesso, buliçoso, às vezes malévolo, que lhes orienta as atividades e os processos de assombramento”. Florival Seraíne, folclorista.
“Guajará ente místico fantástico habitante dos mangues de Almofala e que se manifesta de várias maneiras: canta, assobia, imita o bode e outros animais, açoita os cães e também é chamado de Pai do Mangue ou Pajé do rio”. José Alcides Pinto, escritor e poeta.
O professor Silva Novo ouviu da macróbia Tremembé Tia Chica, que “o Guajará mora nos mangues” e ela adiantou que certa ocasião estava pilando milho, quando sentiu a mão-de-pilão pesar-lhe entre as mãos. E uma sua neta chamada em socorro da índia velha apavorada, viu uma sombra de um enorme pássaro. Tia Chica jurava que esse pássaro era o Guajará, em uma de suas costumeiras traquinagens.
NAVIO FANTASMA Dizem que, por várias vezes, têm visto, naquela praia, a altas horas da noite, um navio gigantesco, feericamente iluminado, numa visão realmente impressionante e deslumbrante. Entretanto, ao tentar se aproximar alguém do navio fantasma, este desaparece misteriosamente, para, alguns minutos depois, reaparecer, já muito distante, em alto mar.
Escrito por alemulato às 15h18
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OBJETOS DE ORIGEM INDÍGENA CONFECCIONADOS DE PALHA DA CARNAUBEIRA
ARUPEMAA Arupema é uma peça de formato redondo e é utilizada para penerar a goma e o milho. Existem Arupemas em diversos tamanhos, umas com as maias (buracos) mais aberta e outras mais fechadas.
BOLSA DE PALHA
Feita também da palha de Carnaubeira, a Bolsa de Palha era muito utilizada para transportar produtos alimentícios e coisas diversas.
ABANADOR DE FOGO
De origem indígena, o Abanador de Fogo ainda é muito utilizado nas casas que possuem fogão a lenha.
Escrito por alemulato às 15h16
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SACA Conhecida também como Surrão de Palha, a Saca é muito utilizada para armazenar a farinha de mandioca, goma para fazer tapioca e o milho.
CUIA
A Cuia é uma peça feita da Cabaça (fruto não comestível de uma planta rasteira de origem nordestina) partida ao meio que serve para retirar a farinha, a goma, a água... utilizada também como bacia.
URU Confeccionado da palha de Carnaubeira, o Uru é utilizado para apanhar feijão e milho.
Numa fabricação menor o Uru serve também para guardar ovos e outras coisas.
PENICO FEITO DE BARROO Penico era um objeto muito utilizado pelas pessoas mais antigas da região de Itarema. Os Cabungos, assim também conhecidos eram fabricados em plástico, metal e até artesanalmente em barro.
O POTE DE BARRO E A AGUIDÁ
O Pote de Barro era muito utilizado para depositar água para beber e o Aluá (bebida feita de água, pão, cravo, canela e outras misturas). Outro objeto de barro muito utilizado também era a Aguidá (uma espécie de bacia de barro) que servia para colocar alimentos, como a tapioca, o beiju, o peixe assado, etc. Existem várias formas e tamanhos de Potes e Aguidás, todos eram construídos e utilizados pelos índios Tremembé, hoje ainda é possível encontrar Potes e Aguidás nas casas mais simples.
VASILHAMES DE LATA
O metal também era muito utilizado pelos artesões de Itarema. Eles faziam vasilhas de vários tamanhos usando latas de leite, óleo e outros. Era comum ver lamparinas feitas de latas de leite em pó nas casas sem energia elétrica, que eram tantas há muitos anos atrás.
Escrito por alemulato às 15h15
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Espero que tenham gostado e contribuido para possíveis pesquisas!!
Conheça mais sobre essa incrível história e confira de perto a bela igreja de Almofala, visitando-nos.
Alexandre mulato, Artísta Plástico, Músico e Coordenador de Cultura de Itarema.
Escrito por alemulato às 15h13
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